terça-feira, 28 de outubro de 2008

O que é loucura?


O que é loucura? Sempre que pensamos nessa palavra nos vêem à cabeça pessoas com transtornos mentais, certo? Mas quantas vezes ao dia nós ouvimos coisas do tipo: “esse trânsito está uma loucura”; “o mundo está louco”; “a violência está uma loucura”? Sem falar quando usam “loucura”, como adjetivo para classificar alguém que cometeu um ato diferente do padrão ou do esperado.
É loucura quererem assassinar Obama por preconceito? E loucura a guerra urbana? É loucura termos comunidade serem controladas por traficantes ou milícias? È loucura o que alguns políticos fazem com o dinheiro público? É loucura a falta de cultura, saúde e educação? É loucura o número de casos de HIV? É loucura a desigualdade social? É loucura o preconceito?
Falando da saúde mental de cada um de nós, as pessoas são vistas nas suas individualidades ou são catalogadas em padrões médico-psiquiátricos de transtornos? Arthur Bispo do Rosário e Van Gogh também foram considerados loucos.
Acho que é muito perigoso tratar a doença mental de forma romântica, usar a arte dessas pessoas que eu falei para encobrir seus problemas reais e os sofrimentos vividos. Mas acho perigoso também a banalização do termo “loucura” e falta de preparo que a sociedade tem para lidar com quem está à margem.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Gabeira e a onda verde da cidadania


O ponto de interrogação é justamente para entender o que aconteceu com a eleição carioca. Houve a antecipação do feriado que ocasionou quase 1 milhão de ausentes. Mas eu pergunto, o feriado vale mais do que 4 anos de administração pública? Vale a pena viajar e depois reclamar da cidade, do caos urbano, da violência? A cidade acentuou a divisão por classe social no voto o que foi uma imensa tristeza; já que o Gabeira é justamente a pessoa com a capacidade de unir a cidade, de trazer o subúrbio e as comunidades para fora da linha do crime e das páginas policiais. O Paes acentuou o medo e a política mais velha, suja e conservadora que é a de ataques baixos produzidos por panfletos anônimos e boatos surreais. A cidade teve a chance de mostrar a si mesma que é capaz de ressurgir. Valente aos que entenderam a mensagem do Gabeira.
Mas fica dessa eleição a sensação de que podemos fazer política ética nesse país. Podemos não sujar as ruas, não fazer política atacando o outro e sim expondo os projetos e planos de governo, que não precisa diminuir o outro para ficar mais forte, falsamente mais forte. Mais ainda, fica o resgate da militância voluntária que havia sucumbido à descrença e aos trabalhadores pagos; fica o interesse do jovem pela política. E talvez; o mais importante é que podemos fazer política sem passar pela máquina dos partidos, dialogando diretamente com a sociedade e com suas expectativas promovendo a “onda da cidadania”. Gabeira é em si mesmo o projeto de um país mais decente, justo e que pensa no futuro. Infelizmente o velho-jovem perdeu para o jovem-velho.

Saneamento básico, o filme


Vale muito ir a uma locadora e pegar o DVD desse filme. Elenco, roteiro, direção, enfim, o filme Saneamento Básico é uma aula de bom cinema. Simples, quase sem cenário, focado no roteiro e na interpretação a história passeia por comportamentos da política brasileira sem ser um filme didático, ao contrário, fala do ser humano e de como somos envolvidos pelo meio em que vivemos. Narra a história de uma comunidade no RS que precisa de uma obra de saneamento só que a prefeitura não tem verba, a única verba que sobrou é para fazer um filme educativo; então, eles resolvem fazer o filme sobre o problema em si. Não quero me tornar repetitivo, o filme merece ser visto e aê vocês comentam. Mas prestem atenção nos detalhes e na delicadeza do texto. E, claro vocês vão rir muito porque todos são ótimos.

Abraços

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O Rio de Gabeira

Acompanho atentamente a eleição carioca e estou acima de tudo na torcida pela vitória do Fernando Gabeira. Acho que ele é um dos poucos representantes da política ideológica. Seu adversário, Eduardo Paes, apesar de jovem representa a política mais antiga e suja: da intimidação, da contra-polícia, de espalhar boatos, panfletos e tudo mais.
A vitória de Gabeira é a vitória de todo o Brasil.

GABEIRA 43!

sábado, 18 de outubro de 2008

Arte, política, Obama


“I wanted to make an art piece of Barack Obama because I thought an iconic portrait of him could symbolize and amplify the importance of his mission. I believe Obama will guide this country to a future where everyone can thrive and I should support him vigorously for the sake of my two young daughters. I have made art opposing the Iraq war for several years, and making art of Obama, who opposed the war from the start, is like making art for peace. I know I have an audience of young art fans and I’m delighted if I can encourage them to see the merits of Barack Obama.”
Shepard Fairey

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Canção de todas as crianças

Esse álbum do Toquinho - Canção para todas as crianças; marcou minha infância nos anos 80. na época do bom e velho vinil. Agora já existe em cd esse clássico infantil. Por que quem foi que disse que criança não merece ouvir boa música? Por que muitos artistas tratam as crianças como mini-adultas? Esse disco tem ótimas músicas, como essa poesia - natureza distraída.

Como as plantas somos seres vivos,
Como as plantas temos que crescer.
Como elas, precisamos de muito carinho,
De sol, de amor, de ar pra sobreviver.
Quando a natureza distraída
Fere a flor ou um embrião,
O ser humano, mais que as flores,
Precisa na vida
De muito afeto e toda compreensão.
Outro disco histórico é Os saltimbancos, outro clássico de Chico Buarque. A música - A história de uma gata, é um ótimo exemplo:
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora senhorio
Felino, não reconhecerás


Um pouco de nostalgia e a esperança de que a arte e a cultura faça com que as pessoas produzam um futuro melhor.

Abraços

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Eleições e a consciência do voto

Ontem vivemos mais um dia de democracia. Sempre me emociono em frente à urna eletrônica, fico tão feliz em poder votar. Acho que o povo (e incluo aqui nessa categoria todas as pessoas, todas as classes sociais, pois somos todos povo) vai aprendendo aos poucos o poder do voto. As eleições municipais evidenciam mais isso porque elas são regionalizadas, tratam de questões do cotidiano das cidades. A escolha do vereador é também essencial e não sei se as pessoas se dão conta disso. Aliás, muitas pessoas votam por pura obrigação. Será que não precisamos estudar mais política nas escolas? Não política partidária, claro, mas o que ela representa para todos nós. Vivemos longos anos de ditadura militar, censura, tortura até conseguir ter o direito ao voto. Vocês sabem quantas pessoas lutaram para a gente conseguir isso? Quantas pessoas morreram para que nós hoje votemos? Então, vamos tomar mais cuidado com o nosso voto. Vamos exercer a cidadania todos os dias e não só na época dd eleição. Faz-se política no dia-a-dia, já perceberam isso? O diálogo, o entendimento no trabalho ou na família, no condomínio, enfim, tudo o que fazemos é política. E falar que todo político é corrupto é simplista demais, não acham? O que vocês fazem para mudar isso então?

Ontem acompanhei atentamente as apurações (aliás, coisa que adoro fazer e me deixa numa ansiedade positiva). Na minha cidade a campanha foi fraca porque o prefeito sempre esteve muito à frente nas pesquisas e sem concorrência. Não que isso seja bom, longe disso. Aliás, reeleição é quase sempre sinal de 8 anos de governo, prefeito só perde se fizer muita, mas muita bobagem.

E vocês? O que fazem para melhora suas cidades?

Abraços