Eu pensei em dois que me disseram: "ser eu mesmo sempre para não abrir mão dos meus sonhos e assim realizar tudo e não apenas sonhar" e o outro "ser mais firme e não me justificar tanto".
O Rubem Alves falou um parecido comigo, mas selecionei esse da Marina Silva que é lindo:
"Dos 5 aos 14 anos, morei com minha avó Julia, em Mecejana, no Ceará. Eu morava numa casinha de palha, a 10 quilômetros da casa do meu pai. Ficava numa capoeira. Minha avó era uma pessoa muito inteligente, capaz de decorar um livro inteiro de cordel apenas de ouvir a história umas duas vezes. Como ela não sabia ler, meu pai lia para ela, e ela me contava as histórias. Ou as cantava em forma de cantoria, como os repentistas. Foi com ela que aprendi os rudimentos do cristianismo. Ela tinha um catecismo feito de papel-cuchê, com umas ilustrações belíssimas da Capela Sistina, que mostrava desde a Criação até o Apocalipse, o fim do mundo. O livro não tinha escrita, só ilustração. Era feito para analfabetos. Minha avó dizia que no Ceará havia padres, freiras e tudo isso. No meu imaginário de criança, ao ouvir tudo isso, eu comecei a dizer que, quando eu crescesse, seria freira. Todas as vezes que eu dizia isso, ela me aconselhava a estudar. Dizia que freira não podia ser analfabeta. E cresci com esse conselho. Quando fiquei doente, resolvi cuidar da minha saúde e ser freira. Fui para um convento, onde fiquei dois anos e oito meses. Foi assim que comecei a estudar. Para ser freira, eu tinha de aprender a ler. Eu tinha 16 anos e meio quando fui para Rio Branco para ser freira. E continuo tentando me curar do analfabetismo até hoje. Analfabeto é também quem não consegue fazer uma leitura em relação aos tempos que está vivendo, quem não consegue ler os valores que se quer reforçar ou outros que a gente precisa mudar. Enfim, a alfabetização é um processo contínuo; é dar outra significação à vida."
Marina Silva, 51 anos, acreana
2 comentários:
Uma amiga me deu um dos conselhos mais importantes q eu já recebi...para eu reparar melhor na maneira como eu tratava os outros (especilmente aqueles do sexo oposto); para eu não ficar tão na defensiva e não perder minha espontaneidade, q é uma das marcas mais fortes da minha personalidade! Acho q nem ela sabe o quanto esse "toque" foi relevante pra mim, para minha vida....
Acho que foi o único conselho interessante e "seguível" da minha mãe: "Filha, independa-se". Lamento tê-lo seguido só até certo ponto na minha vida. Quem sabe na próxima encarnação... rs!
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